sexta-feira, 20 de abril de 2012

Assassin's Creed Renascença – Oliver Bowden


Florença, 1476. Duas gangues de rapazes, uma liderada por Ezio Auditore e outra por Vieri de'Pazzi, enfrentam-se. A inimizade entre os dois era de longa data, mas Ezio mal sabe que seu desafeto tinha raízes mais profundas.

O confronto segue durante algum tempo, até que Ezio se vê encurralado por seus adversários. É então que Federico, seu irmão, entra em cena, e a batalha chega ao fim com a fuga dos Pazzi. 

Como Ezio estava ferido, Federico decide que deveriam ir a um médico.
Ezio desdenhou:
- Não tenho tempo a perder com médicos. Além do mais... - Ele fez uma pausa, com tristeza. - Não tenho dinheiro.
- Ah! Desperdiçou tudo com mulheres e vinho, suponho. - Federico sorriu e deu um tapa caloroso no ombro do irmão mais novo.
- Não exatamente desperdicei, eu diria. E considere o exemplo que você me deu. - Ezio sorriu, mas depois hesitou. De repente se deu conta de que sua cabeça latejava. - Seja como for, não custa dar uma olhada. Será que você poderia me emprestar uns fiorini?
Federico deu um tapinha na bolsa, que não tilintou.
- A verdade é que neste momento eu também estou meio decapitalizado - respondeu.
Ezio sorriu com o acanhamento do irmão.
- E no que você desperdiçou o seu? Missas e indulgências, suponho?
No entanto, a vida desregrada e despreocupada dos dois irmãos e melhores amigos muda completamente quando sua família é acusada, injustamente, de traição. Seu pai, Giovanni Auditore, Federico e Petruccio, seu irmão mais novo, são capturados. Só Ezio escapa.
Naquele momento, Ezio soube que sua vida anterior havia acabado - Ezio, o garoto, não existia mais. Dali por diante, sua vida estava baseada em um único objetivo: vingança.
Porém, conforme Ezio vai se aprofundando em sua busca, acaba por se descobrir envolvido em muito mais do que apenas a vingança pela traição que sua família sofreu.

Antes de tudo, eu nunca joguei Assassin's Creed, mas qualquer pessoa que já tenha jogado algum jogo na vida consegue identificar que está, na verdade, dentro de um. Desde o início, vemos Ezio passar por vários treinamentos, que são essenciais em um jogo, mas ficam cansativos em um livro. Exemplificando: após a visita ao médico, Federico ensina Ezio a saltar pelos telhados, apostando uma corrida até o telhado da igreja Santa Trinità. Ao ler a passagem, é possível visualizar o jogo: aquela coisa do npc pular e esperar você do outro lado, até que você o imite, sabe? 


Outro exemplo é quando Ezio precisa aprender a "se misturar" para passar despercebido em multidões (afinal, ele está sendo procurado pelas pessoas que prenderam seus familiares) e alguém fica "olhando" para ver se o encontra - como quando você precisa passar despercebido pelos guardas/soldados/bandidos/etc e não pode ser visto/capturado ou terá que fazer tudo de novo.


E não para por aí. Além dos treinamentos, são descritas missões, que são coisas comuns em jogos, mas, da forma como são mostradas, ficam estranhas em um livro (como quando seu pai manda Ezio entregar três cartas a três pessoas diferentes - não estou explicando muito para evitar spoilers).

Um aspecto interessante é que, durante a narração, são incluídas palavras e expressões em italiano (como o fiorini ali em cima), com o significado de quase todas elas no glossário do final do livro. Além disso, durante sua trajetória, Ezio encontra pessoas que você vai reconhecer das suas aulas de história, como Lourenço de Médici e Leonardo da Vinci.

Assassin's Creed Renascença tem uma trama interessante, mas que não é bem aproveitada no livro. A história poderia ser mais bem desenvolvida, se o autor não tentasse se prender a minúcias, como os treinamentos, por exemplo, presentes (acredito eu) no jogo. Os períodos ociosos de Ezio também são narrados, e a espera às vezes acaba sendo mais longa que a ação. Outro problema é o tempo, que passa sem aviso: quando menos se espera, descobre-se que, na verdade, anos transcorreram (conhecemos Ezio aos 17 anos, no fim do livro ele está com 44) e muitas vezes não se sabe o que aconteceu neste meio tempo. 

Resumindo, o enredo é bom, mas a narrativa deixa a desejar. Então, se você se interessou por Assassin's Creed, feche o livro e vá jogar o jogo.


2 comentários:

  1. Ei Raphaella,

    Eu não conheço o jogo nem outros do estilo, acho que os últimos jogos que joguei na vida foram The sims e Age of empires a milhões de anos atrás hehe.

    Já vi muita gente elogiando este livro, mas não me despertou o interesse. Meu namorado mesmo leu e gostou bastante. 

    beijos

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  2. Oi, Nanda!
    É, eu também não gostei muito, mas, como dizem, gosto é igual nariz: cada um tem o seu hehe.
    Ah, a primeira "foto" que eu coloquei é de Tomb Raider IV, que eu jogava com meus primos há muuuuito tempo, e lembrei quando li a passagem que eu citei.
    Beijos!

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