quinta-feira, 3 de maio de 2012

Épico – Conor Kostick


Um grupo de pacifistas, fugindo da violência que se alastrou pela Terra (que, efetivamente, causa sua destruição), deixa-a, e, funda, em outro planeta, a Nova Terra.

Séculos depois (aparentemente - não é dito quanto tempo realmente se passou), os descendentes dos refugiados vivem num sistema em que atos de violência são restritos às batalhas virtuais, em um jogo chamado Épico, sendo este o modo encontrado para que os conflitos da sociedade sejam resolvidos.

Porém, essa sociedade aparentemente perfeita, na verdade, possui uma série de falhas.

Épico foi criado inicialmente não com o intuito de tomar as vezes de sistema de governo, mas como um simples jogo, para diversão de quem se aventurasse em seu mundo virtual, assemelhando-se a um clássico RPG - Role-Playing Game - (ou, mais especificamente, um MMORPG -
Massively Multiplayer Online Role-Playing Game). Porém, com a adoção do jogo para resolução dos conflitos, cada membro da sociedade deve criar seu personagem e evoluí-lo no jogo, conseguindo pontos de atributo, equipamentos e dinheiro, que serão responsáveis não somente por sua evolução no mundo virtual, mas também no mundo real. Como assim? Já explico.

Com recursos escassos na Nova Terra, a necessidade de seu gerenciamento surgiu. Assim, foi criada a Central de Distribuição (CD), responsável por administrá-los e distribuí-los jura? para a população, que é dividida em distritos responsáveis por tarefas para que a sociedade sobreviva (alguns trabalham com agricultura, outros nas salinas, e assim por diante). Só que o gerenciamento não é democrático e a única maneira de conseguir alguma mudança é abrir uma disputa: sua proposta deve ser defendida através de uma batalha na arena contra os personagens do Comitê da CD.

O problema é que os jogadores da CD são extremamente ricos, possuindo os melhores equipamentos existentes em Épico. 

Você | Você depois de 50 anos jogando, se tiver sorte | Personagem da CD

Dessa forma, é impossível vencê-los. Mas as pessoas tentam, e todo dia, depois do trabalho diário, entram em Épico na tentativa de conseguir alguns cobres virtuais que possam beneficiar sua vida real.

(...) isto é a ditadura de uma elite reduzida e auto-selecionada, que chamamos Casiocracia, um novo Leviatã que, inchado, permanece montado sobre nossa sociedade enquanto o resto de nós trabalha duro para a comunidade. (pág 84-85)

Quando Erik busca vingança pela injustiça sofrida por sua família, nasce uma pontinha de esperança para os habitantes da Nova Terra.

A história de "Épico" é realmente interessante e imaginativa. Há suspense e ação do início ao fim, é impossível deixar o livro de lado - as páginas viram sozinhas. A trama conta, ainda, com várias reviravoltas (quem se dispuser a ler o livro, sem dúvida irá se surpreender), algumas vezes ocasionadas pelo próprio jogo, que, afinal, foi adotado como sistema de governo, mas não foi criado com essa finalidade.

A narrativa é crível, real, ao ler o livro, tem-se a impressão de que aquilo ali (com certa ressalva, mas não vou comentar para não dar spoiler) poderia acontecer um dia. Os personagens possuem qualidades e defeitos distintos e tem convicções próprias, agindo de acordo com elas.

Além disso, Conor Kostick traz à tona questões éticas, filosóficas e políticas em meio à história. O leitor parará para pensar nas implicações morais envolvidas.

- Bem, garoto, não vou explicar tudo a você agora. Eu vejo que o seu suporte de referência conceitual ainda está limitado pela sua educação escolar. (...) Mas mesmo que o mundo funcionasse de acordo com os princípios e usos de Épico nos quais você acredita, ainda existe uma, aliás, existem duas - ele se corrigiu - importantes questões que deixarei para você. Pergunte-se como as pessoas que estão atualmente no Comitê da Central de Distribuição chegaram lá? E como você poderia tomar o poder, se você assim quisesse? (pág 99)

Como ponto negativo eu apontaria o final da história (meio inacabado), mas descobri que existe continuação,  por isso o pretérito imperfeito - deixou de ser um problema, pelo menos por enquanto.

Ah, é interessante acrescentar que "Épico" foi vencedor do Prêmio Booklist de melhor livro de fantasia para jovens de 2007 e recebeu Menção Honrosa do International Board on Book for Young People em 2006. Mais que recomendado.


The Avatar Chronicles

1 - Épico (Epic)
2 - Saga (ainda não lançado no Brasil)
3 - Edda (ainda não lançado no Brasil) 

2 comentários:

  1. Li esse livro ano passado.. e até hoje espero continuação... um puta de um bom livro nao reconhecido por aqui...

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  2. Pois é. Acho muito difícil que tragam as continuações - o que é realmente uma pena.
    E não sei porque não caiu no gosto popular, ainda mais pelas distopias estarem tão na moda.
    Vai ver não foi muito bem divulgado... ou ninguém deu chance por ser meio carinho no lançamento (baixou bem de uns tempos pra cá - eu mesma comprei em promoção).

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