segunda-feira, 30 de julho de 2012

Cilada – Harlan Coben


Eu não ia falar sobre esse livro, mas achei que deveria alertar o mundo.

Eu sabia que minha vida seria destruída se abrisse aquela porta vermelha.
Isso pode parecer melodramático e de mau agouro. Não sou lá muito chegado a nada disso. (...)
No entanto, enquanto eu caminhava em direção a ela sob a luz débil de um poste distante, a escuridão parecia se abrir como uma boca prestes a me devorar inteiro. Era impossível afastar a sensação de perigo iminente.

Dan Mercer é um assistente social que trabalha em um centro comunitário tentando ajudar jovens carentes como ele próprio foi um dia. Ao receber um telefonema de uma garota pedindo socorro, Dan não hesita em ir ao seu encontro. Porém, ao cruzar a porta vermelha atrás da qual a menina se encontrava, sua vida é completamente destruída: Dan cai numa cilada da jornalista Wendy Tynes, a repórter que atrai pedófilos e os flagra em seu programa de tevê para que o mundo fique sabendo.

Haley McWaid é uma garota de 17 anos, meticulosa, organizada, esportista campeã, estudiosa: o retrato perfeito de uma aluna e filha exemplar. Quando, em certa manhã, a mãe encontra a cama de Haley vazia, sua surpresa só não é maior que quando, três meses depois, a garota ainda não havia sido encontrada.

Interessante, não? Sim, a ideia de Coben foi boa. O problema é que parou por aí.

A história de Dan não consegue enganar nem um pouco. Muitos furos, já no início, evidenciam qual a verdade sobre a inocência/culpa do assistente social. Por mais que hajam certas "forças" querendo levar o  leitor a acreditar em determinada coisa, não dá pra duvidar nem por um segundo sobre o verdadeiro caráter de Dan.

E as contradições não terminam aí. O livro todo é inverossímil, falso. 

Wendy - a jornalista -, mesmo estando tão crente na culpa de Dan (tanto que armou um circo para pegá-lo) acaba sendo a única que investiga o caso - nem a polícia acredita na inocência do cara. E ela faz isso antes mesmo de um certo fato (um spoiler presente na sinopse da Arqueiro que preferi não contar), pelo qual ela se sente culpada, acontecer. E não para nem ao ser ameaçada. Nem quando seu filho é ameaçado. É, sinto muito, mas não dá pra engolir.

Em sua busca pela verdade, Wendy conhece pessoas do passado de Dan Mercer, incluindo ex-colegas de faculdade. Um deles é um dos membros do Clube dos Pais, um grupo de amigos já de uma certa idade (casados, com filhos), que agem como adolescentes (acho que nem como adolescentes de fato, mas muito pior). São verdadeiros perdedores, não despertam pena/compaixão, apenas MUITA vergonha alheia. E, mais uma vez, é difícil de acreditar que aquilo ali existisse.

Além disso, Cilada é previsível em grande parte. Conforme as coisas vão acontecendo, fica meio óbvio o que vem depois. Até por não dar pra duvidar sobre Dan em nenhum momento. E isso foi uma das coisas que mais me decepcionou por ter sido este meu primeiro Harlan Coben - todo mundo elogiava as reviravoltas do autor, falava da sua genialidade e imprevisibilidade... e não foi isso que encontrei.

Para ser totalmente sincera, a história de Haley não é exatamente previsível (a única coisa, de fato). Mas, quando é esclarecida, volta-se ao ponto anterior: não dá pra acreditar. Não é nem um pouco plausível. Principalmente o desfecho.

Como pontos positivos, encontrei apenas dois:

1) a contemporaneidade do livro, com direito a buscas no Google, perfis no Facebook, salas de bate-papo, até o Twitter é mencionado.

2) Coben, definitivamente, acertou no nome: o livro é, verdadeiramente, uma cilada.


6 comentários:

  1. COMO ASSIM VOCÊ ESTÁ FALANDO MAL DO MEU GRANDIOSO HARLAN COBEN???


    Poxa e antes de mim! Estou com a resenha desse livro agendada pra postar e minha opinião foi parecida com a sua embora eu tenha me dado melhor com o livro por já ser meio fã do Harlan*.


    Concordo com praticamente tudo o que foi dito. Não acreditei na Wendy em muitos momentos. Tipo, como uma jornalista confia num e-mail anônimo, sem nenhuma credibilidade pra armar esse circo todo? Wendy soou falsa pra mim, não gostei dela.


    O que eu realmente achei: "o livro é meio previsível, às vezes enrolado e nem as revelações rocambolescas do final me convenceram ou surpreenderam."


    Você só perdeu um dos maiores pontos altos do livro: O fato dele ser um MEGA ponto de encontro de personagens que você, obviamente, não conhece. Cada vez que um deles aparecia eu me animava. Por isso que eu digo pra começarem por "Confie em Mim".


    A Hester Crimsteim SEMPRE aparece das formas mais inusitadas pra defender o mocinho. Nesse livro, a novidade é que ela está do lado do bandido! Se você conhecesse ela de outras bandas ficaria louca com essa situação.
    O investigador Tremont aparece em Confie em Mim, só que lá, ele é um idiota completo que só faz cagada. Em Cilada a gente vê o amadurecimento dele e a chance de redenção.
    Outro que é a mega surpresa do livro é o Win, aparecendo nesse livro como ex da Wendy. Tipo, INACREDITÁVEL! Ele é um baita psicopata da série Myron Bolitar. Fiquei com o maior medo dele tentar algo com a Wendy!


    Enfim, o livro é cheio dessas coisas, mas pra quem o pegou logo de começo, realmente não tem como notar. Aí ficam só com o lado cilada mesmo rs


    * Eu disse que sou meio fã, porque a partir desse Cilada e série Myron Bolitar, eu tenho desgostado do autor. sei lá, depois de 6 livros dele, comecei a achar tudo igual. Estou lendo mais um agora, um YA, e está indo pelo mesmo caminho...

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  2. Hahaha! Se fosse no skoob, já teriam aparecido muitos FÃS me xingando :P


    Sim, "previsível" e "falso" resumem TUDO.


    É, não conhecia mesmo, achei aquela Hester Crimsteim meio sem noção e nada grandiosa, chegando, às vezes, a beirar o ridículo :P, mas parecia que ela era alguém importante (ou que se achava importante) mesmo (só que, como eu falei, pra mim foi previsível a questão mocinho/bandido e a verdade sobre a morte, até porque muita gente já usou essa saída por aí - espero que tenha dado pra entender do que estou falando, não quero falar mais claro pra não dar spoiler pra quem por acaso ler meu comentário)... já o Wyn, bem, foi meio inacreditável e esquisito, com aquela coisa de eu-sou-demais-consigo-tudo, mas, na época, nem me liguei muito nele - quando li Jogada Mortal e descobri que, sim, ele é acostumado a conseguir tudo o que quer, não lembrava que ele tinha aparecido em Cilada :P


    Ah, então é isso, descobri: você gostava TANTO do Coben porque não tinha lido muitos suspenses/policiais na vida, então, mesmo que ele use fórmulas prontas, pra você eram novidade :P (ei, to brincando, até porque eu só li 2 livros dele, então não posso afirmar com toda a certeza do mundo que ele não tenha feito nada diferente antes de ficar tudo parecido, como você falou)

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  3. Mais do mesmo vcs querem dizer... (hehe)
    Antes de sua resenha eu já sabia que quero muito ler "desaparecido p/ Sempre" (Coben), acho que é esse o nome.
    Depois de se ter lido tudo da Agatha Christi, na adolescência e simplesmente amado, preciso voltar aos policiais. Mas, definitivamente não será c/ Coben!
    Vou radicalizar, e ler Mo Hayder, mesmo sabendo que não tenho muito estomago, vai ou racha. (rsrs) Dizem que (Pássaros da Morte) não é aconselhável p/ quem é impressionável...
    Enfim, livros p/ venda, temos que ficar ligado.
    Policial, li a Trilogia Milenium esses sim, bem escritos c/ tramas boas, vc já leu??
    Mas, os policiais, são realmente secundário p/ mim.
    Boas leituras!


    PS: Cilada foi ótimo, eu vivo fugindo desses livros.

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  4. Eu sempre gostei de policiais, como você, e não sei se tenho estômago pra coisas MUITO impressionáveis também haha


    Li só o primeiro da Millennium, mas não gostei, achei que era, bem, um verdadeiro queijo suíço (muitos buracos) >< Aí nem me animei de continuar lendo.


    Do Coben, o Felipe (esse que comentou) me desafiou a ler "Confie em mim" ou "Desaparecido para sempre" (marquei no skoob pra não esquecer haha), e pretendo fazer isso um dia (só não sei quando).

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  5. Ah, que terror >< Eu tenho esse livro aqui em casa, mas ainda não o li... será que o acharei assim tão previsível?!

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  6. O pior nem é a "previsibilidade", Nanie, é a "inverossimilhança". Triste.

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