domingo, 22 de julho de 2012

Echo Park – Michael Connelly


Bosch balançou a cabeça afirmativamente e se aproximou da garagem. Respirou fundo pelo nariz. Já fazia dez dias que Marie Gesto havia desaparecido. Se ela estivesse no porta-malas, ele teria sentido o cheiro. Seu parceiro, Jerry Edgar, juntou-se a ele.
- Alguma coisa? - perguntou ele.
- Acho que não.
- Ótimo.
- Ótimo?
- Eu não gosto de casos que envolvem porta-malas.

Harry Bosch é um detetive da polícia de Los Angeles que não conseguiu se livrar dos fantasmas do passado. Mesmo após afastar-se de seu cargo devido à aposentadoria, os crimes que não conseguiu resolver ainda o atormentam. Então, ele volta à ativa, sendo alocado justamente no Abertos/Não Resolvidos.

Quando os arquivos de uma de suas perturbadoras investigações não concluídas (o desaparecimento de Marie Gesto) são requisitados por um promotor envolvido em um outro caso que chocou a cidade, Bosch encontra uma oportunidade para finalmente conseguir paz - para si e para os pais da garota.

Este não é o primeiro caso de Harry Bosch (e provavelmente nem o último), mas foi meu primeiro contato com ele - e com Michael Connelly. O autor foi jornalista policial durante algum tempo e aproveitou bem esse conhecimento: Connelly sabe do que está falando. Conhece os sistemas, a forma de ação empregada nas investigações, os recursos, a burocracia, os problemas, a política envolvida na coisa toda - ou, pelo menos, é essa a impressão que ele passa.

A história é ágil, envolvente e bem contada, apesar de seguir algumas das fórmulas empregadas no gênero.

Um exemplo é a própria figura do detetive: metido a sabe-tudo, quer resolver as coisas sozinho, do seu jeito, e na base do olho por olho, dente por dente.

Eu sempre comento que, em geral, adivinho como a história vai acabar, e até o que vai acontecer em seguida - é quase como se o roteiro fosse meu -, e como isso me decepciona (é legal acertar algo, mas não TODO o tempo - gosto de ser surpreendida).

Durante a narrativa, eu quis gritar pro Bosch (teve uma hora - tudo bem, foram duas - em que me peguei falando mesmo - ainda bem que estava sozinha!):

- Para com isso! Tá na cara que...


Só pra descobrir mais pra frente que, sim, eu estava certa.

Depois, minha fala foi outra:
- É óbvio que...! Não acredito que você vai deixar isso acontecer!
Novamente, tive razão.

E mais pra frente:
- Aff, acorda Bosch! Você ainda não descobriu que...
Mais além, ele descobre.

Até que eu nem estava me importando muito com o fato de adivinhar tudo, porque a história era boa mesmo assim. Só que, então...


Certo, Connelly, agora você me pegou, admito. Não vi chegando. Mesmo.

Ah, certas atitudes e pensamentos do Bosch não me agradaram, por questão de incompatibilidade de gênio - não concordo com seus métodos, por assim dizer.

Eu também teria gostado de mais alguns esclarecimentos no final do livro, apesar de não serem estritamente necessários.

Enfim, é isso! Recomendo pra quem gosta de um bom policial.

Alerta de spoiler: caso se interesse pelo livro, não leia a sinopse "oficial". A minha edição é essa do Ponto de Leitura (promoção é comigo mesmo), e ela não tem spoiler (ok, mal tem uma sinopse), mas acredito que a da Suma de Letras tenha - imagino que a que tem no skoob é a dela. Não é nada nossa-acabou-com-a-graça-não-vou-mais-ler-depois-disso, mas acho que vale avisar.


6 comentários:

  1. aahh, comecei a ler mais livros por causa de romances policiais! :D
    mas realmente, a fórmula costuma não mudar muito, entao fui desanimando aos poucos com este tipo de livros :/ (olha só, já tive ressaca literaria...! :p ) vou deixar um lembrete p/ procurar este autor, qnd bater vontade desse tp d história de novo :)



    notei o post anterior... lembrei da minha "guerra fria" com a secretária da autoescola! xD está uma disputa p/ ver quem cansa primeiro, é ridículo :p

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  2. Uhum, eu também gosto, mas é difícil achar um que saia do óbvio. Este é legalzinho até, apesar de ficarem coisas em aberto. Se eu tivesse indo pro IQ te emprestava :|


    Hahaha, sério? O que acontece? Ela não quer marcar seu exame? Ou tá enrolando com as aulas? (comigo aconteceram as duas coisas)
    Autoescola é uma enrolação só mesmo. Pra você ter uma ideia, eu comecei a fazer as coisas em janeiro (ano passado) e minha carta só saiu em setembro (!) - tudo bem que tive parte da culpa, já que eu só podia fazer aula de sábado...

    Mas não se preocupe muito, no fim dá tudo certo ;P

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  3. Esse foi o primeiro (e único) livro que li do Bosch, mas gostei demais da história!
    Tudo bem, tem algumas fórmulas marcadas, mas acho que a maioria dos policiais têm... e se o autor consegue me surpreender em algum momento, eu já fico feliz :)

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  4. Eu também, e comprei num impulso (porque tava 9,90 no Carrefour :P - a mesma coisa com "Épico" - se todos os livros fossem esse preço, todo mundo lia mais, com certeza.).Uhum, e quanto mais você lê, mais iguais eles ficam, né? Mas mesmo quando não me surpreendem e a história é legalzinha, eu já gosto :)

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  5. Raphaella, eu adoro essas promoções de livros a R$ 10 *-* Eu sempre compro alguns sobre os quais eu nem tinha ouvido falar que depois amo ^^ Não foi o caso com Echo Park - esse eu ganhei numa promoção no twitter ^^

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