quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A arte da imperfeição – Brené Brown

Cara Brené Brown,

Eu não sei a qual número este e-mail corresponde dos tantos que você já recebeu, mas imagino que seja um bem alto.

Quando seu livro chegou aqui em casa, minha mãe, tendo visto o título, soltou um "quero que você leia este livro e faça um resumo!", para você (achei que você não gostaria de ser chamada de doutora, apesar de ser uma, ou, sei lá, de senhora, pela informalidade que suas palavras passam, mas se eu tiver me enganado, desculpe-me!) ter uma ideia do meu "estado" - perfeccionismo tem sido meu nome do meio há tanto tempo que nunca nem imaginei que teria como/poderia me desfazer dele.

Então, devo dizer, antes de tudo (e me desculpe se minhas palavras despertarem uma tempestade/um ataque de fúria em você, eu vou entender se eu receber uma resposta atravessada), que seu livro não despertou a minha atenção e que eu nem o teria lido se eu não tivesse ganhado numa gincana (não uma de verdade, com brincadeiras e coisa e tal, mas uma feita na internet).

Eu também, para que meu relato seja mais autêntico, devo dizer que desenvolvi um grande preconceito com livros de autoajuda. Ok, minhas palavras mais exatas (só em pensamento) sobre essa "categoria" eram mais ou menos: 10 formas de mudar a sua (do autor) vida: como ser feliz (prometer coisas é revigorante, mesmo que não se cumpra depois), conseguir muito dinheiro (pro seu próprio bolso) e se reciclar profissionalmente (enganando os outros).

Logo, coloquei seu livro no final da última prateleira da estante, disposta a lê-lo (e, ainda assim, talvez) só quando eu não tivesse mais nada não lido por aqui.

Até que um dia desses, surpreendentemente para mim (até porque eu ainda tinha alguns não lidos em casa), resolvi ver do que tratava o negócio. Só que decidi sair lendo logo, sem nem olhar pras orelhas e pra contracapa, porque, se eu encontrasse palavras como CONFIANÇA, PROSPERIDADE e CRESCIMENTO, tenho certeza de que desistiria. Ainda bem que você colocou aquela introdução não assustadora (nossa, como eu já tentei desver coisas! Que nem o C do símbolo do Carrefour - triste não ver mais um e.t. usando um chapéu vermelho, nem uma carinha feliz), porque seria uma pena não ter lido seu livro.

E, pensando bem, agora que já o li, nem sei se seu livro é realmente autoajuda, pelo menos não nos moldes tradicionais. Afinal, ele apresenta sua pesquisa, e você até fala um pouco como pesquisadora (eu também já tive a minha dose de relatórios, pôsteres, resumos e até alguns rascunhos de artigos para escrever, e já li muitos deles, então dá para reconhecer a linguagem, as citações, as comparações com a literatura), só que numa abordagem mais simples. E acho que foi isso que me fez continuar lendo: passou credibilidade.

Mas não se anime muito. Porque nada do que você diga (apesar de ter sido apenas um parágrafo lá no final - tinha que tropeçar no fim?) vai me fazer gostar de Paulo Coelho - eu li O Alquimista faz muito tempo, e não lembro muita coisa, apenas que achei uma grande porcaria com ares metafísicos (tem certeza que essa coisa de autenticidade é realmente boa?).

Bem, voltando ao seu livro, quero dizer que encontrei nele algumas coisas com as quais eu já concordava, algumas coisas que estou custando a acreditar e algumas coisas que acho que nunca vou acordar - mas todas me fizeram pensar, então, o que mais eu poderia pedir de um livro, não é mesmo?

Termino dizendo que pretendo assistir a algumas das suas palestras, dar uma olhada no seu blog (eu também tenho um, e acho que criá-lo foi uma prática de coragem, apesar de eu não saber disso na época, assim como mantê-lo no ar e escrever - e publicar - cada texto) e, talvez, ler seu outro livro, para tentar compreender um pouco melhor suas descobertas - acho difícil colocá-las em prática, mas quem sabe, né?

Enfim, gostei da leitura e acho que ainda pensarei nela por um bom tempo.

Até mais,

Raphaella

PS: se eu conseguir mandar esse e-mail sem justificar, tenho certeza de que será uma grande prática de... alguma coisa.


9 comentários:

  1. Que resenha bacana essa! É exatamente por resenhas assim que sigo seu blog, Raphaella *-* 
    Adoro a forma como você escreve e se expressa :) Eu tenho esse livro aqui em casa e, de fato, ele está lá no final da fila dos livros que eu provavelmente nunca vou ler (embora não admita isso)...
    Agora com sua resenha... bem, eu ainda não estou morrendo de vontade de ler, mas acho que o livro subiu no meu conceito, mesmo que eu não queira admitir e, talvez, seja lido um dia. Um dia, quem sabe... 

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  2. tb tenho preconceito com livros de auto-ajuda! :/
    na vdd, nao gosto msm qnd eu julgo o livro meio "pretensioso"... qnt mais simplista, até infantil, melhor. tp pequeno príncipe, sabe? é meio auto-ajuda neh... huahua

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  3. Uhum, aqueles com receitas milagrosas (que COM CERTEZA vão mudar a sua vida) são os piores. 
    É,  "O Pequeno Príncipe" é fofo, então a gente releva haha - também gosto dele :)

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  4. Obrigada, Nanie :D

    É, acho que resolvi dar uma chance pela "desgraceira" que foi "Um dia" haha
    Ihh, eu também tenho uma fila assim aqui, da qual eu nem falo e que nem cadastrados no skoob foram rs. Também tenho alguns que são para ler em algum dia da minha vida, só não sei se/quando o tal dia chegará (tipo o "Os Miseráveis" completo - o de três volumes #shameonme).

    Este me surpreendeu mesmo, mas também me deixou meio .__. porque eu sou a personificação do totalmente errado do livro haha (ok, exagerei um pouco no drama, mas a ideia é essa).

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  5. Raphaella, algo que me diz que eu encontrarei muito de mim na parte do "não faça isso" >< Não sei ainda quando vou ler...

    Ah, eu cadastro tudo  no skoob - porque realmente PRECISO saber o que tenho, o que já li, o que pretendo reler... enfim, eu preciso CONTROLAR tudo - à toa, mas preciso. Só que realmente tenho alguns livros que eu não me vejo lendo tão cedo - alguns que não me vejo lendo nunca... Mas sei lá, né, vai que um dia eu leio... hahahahaha

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  6. Ihh, eu desencanei disso no skoob porque: 1) acho que me incomoda mais ver escrito "vou ler" em algum que não sei se efetivamente vou ler do que não tê-los cadastrados; 2) não lembro mesmo tudo o que já li pra colocar lá, então, de que adianta ter uma parte ("vou ler"/"tenho") certa se a outra ("já li") estará errada?; 3) tenho preguiça de procurar/tirar foto pra poder cadastrar os livros que não tem cadastro lá (não dá pra cadastrar e deixar sem foto :P).
    Só por essa nossa conversa já dá pra ver porque nós temos sérios problemas, Nanie, e estamos totalmente erradas de acordo com o livro, né? hahaha

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  7. Ah, mas eu tenho o meu nível de controle de uma forma torta... hahahaha só marco lá de 2009 em frente! Os que já li antes disso, estão marcados como "Vou ler" - eu não sei por que isso faz sentido para mim, mas faz. Eu sempre cadastro todos os meus livros lá quando não tem. Aliás, foi por isso que não gostei do GoodReads, porque eu não podia cadastrar livros que não tinham no site - e daí ficava tudo errado.
    É... eu acho que nós temos sérios problemas de acordo com esse livro MESMO.

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  8. Eu não tenho esse preconceito geral com livros de autoajuda, mas não é um estilo que eu saia correndo com um "oba! Mês que vem tem lançamento do Augusto Cury". Já li vários elogios a este livro e o tenho na pilha. Um dia lerei.

    Ficou ótimo sua resenha/carta não justificada.

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  9. Acho que meu problema maior com esses livros é pensar que todos querem vender coisas óbvias com ares transcendentais (além de achar que eles não funcionam). Aí já julgo o negócio sem nem ter aberto #shameonme. Mas este me surpreendeu mesmo.

    Obrigada! :]

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