sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Um Dia – David Nicholls

Então, eu (finalmente) li Um Dia.

E, bem, pensei bastante e decidi que não ia escrever nada sobre esse livro.

É isso aí. Mas, então, o que estou fazendo na frente desse risquinho piscando na tela? - uma pergunta muito razoável, de verdade, que me ocorre no momento. 

Acontece que eu quero dizer ALGO. Não sei bem o que, mas aqui estou, tentando descobrir.

Já pensei em fazer um post preguiçoso. Um post genérico. Um post que fale (muito) - ou que deixe transparecer (um pouco) - de mim. Um post um tanto quanto sentimentaloide. Um post nostálgico. Um post só com citações. Já pensei em riscar apagar isso tudo e deixar pra lá.

Até porque (pseudo ou não) resenha tem de monte por aí - só no skoob, no momento, tem exatamente 306 cadastradas. Textos para todos os gostos, pelo menos em teoria.

Então, o negócio é o seguinte: só vou dizer umas duas palavras, que não vão mudar a sua vida, e depois fazer uma breve comparação com o outro livro desse cara, que foi o primeiro que ele publicou e o primeiro que eu li, também.

Então, lá vai: Um Dia é muito BOM. Também é bem REAL, sabe? Um daqueles livros que faz você acreditar em cada palavra - nada de personagens artificiais (no sentido de rasos, falsos), não em Um Dia -. É cheio de pequenas coisas que fazem pensar e de partes engraçadas, também. E me deixou deprimida. Pois é, um dos (grandes) males da realidade.

É isso. Agora, a comparação.

Certo, aqui é onde eu devo dizer que Resposta Certa foi um prenúncio de Um Dia. E não porque foi escrito antes, apesar disso ficar bem claro quando se lê os dois.

Lembra que eu falei das grandes incertezas da vida, da questão de ter que fazer escolhas, das mudanças, das crises pelas quais Brian passa? Então, Dex e Em, Em e Dex passam por essas coisas, também. E vão muito além. Até, mas não só, porque passam por mais da vida (acompanhamos os dois por 20 anos, afinal de contas).

Morar na cidade universitária era o mesmo que continuar numa festa da qual todo mundo tinha ido embora, e por isso em outubro ela (...) voltou para a casa dos pais por um longo e úmido inverno, cheio de recriminações, portas batendo com violência e televisão durante as tardes numa casa que parecia inacreditavelmente pequena. "Mas você tem um diploma com primeiro lugar em duas matérias! O que aconteceu com ele?", a mãe perguntava todos os dias, como se o diploma de Emma fosse um superpoder que ela se recusasse a usar. Sua irmã mais nova, Marianne, uma enfermeira feliz no casamento e com um filho recém-nascido, aparecia à noite só para tripudiar na agora rebaixada filha perfeita do papai e da mamãe.

Além disso, alguns elementos são compartilhados (ou, devo dizer, reaproveitados?), mesmo que não sejam coisas tão destacadas (talvez até ninguém perceba), mas detalhes. Estou falando, por exemplo, do corte de cabelo curto-atrás-e-dos-lados, das fotomontagens no quarto universitário, da vergonha de dizer pro cabeleireiro que quer o corte igual ao da pessoa famosa X e sair de lá com um corte esquisito por não ter explicado direito.

Também dá para "sentir" uma mesma "atmosfera" nos dois livros - sei lá, no desenvolvimento, na forma de narrar, na temática -, só que é tudo mais "evoluído" em Um Dia.

Certo, estou sendo meio vaga e contraditória, mas a sensação foi mais ou menos essa mesmo. Como se Resposta Certa fosse o rascunho e Um Dia, o definitivo. 



9 comentários:

  1. Oba!!
    ctz q vou ler um dia! (... juro q não era p/ ser um trocadilho)
    e acho q não vou mais fazer tanta questão de ler "resposta certa" :p

    gostei bastante desse post :)
    ser contraditório é o que há, e deu para simpatizar com o sentimento. huahua

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  2. Você sabe que na época, fui assistir a esse filme no cinema.
    Quanto ao final entendi de um jeito e meu marido de outro.
    Daí fiquei pensando que ia ler esse livro para ver se confirmava minhas impressões.
    Mas, já deixei ele passar diversas vezes nas minhas idas as livrarias.
    A próxima vez vou comprar. 
    Mas você acha que Resposta Certa acrescenta muita coisa?
    No momento estou terminando 1984, já era p/ ter lido a muito tempo esse tb. To curtindo.
    E vc já sabe qual a próxima leitura?
    Beijos literários!

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  3. hahaha, é inevitável o trocadilho, mesmo que não tenha sido a intenção ficou engraçado :P
    Sim, sim, pode pular Resposta Certa.

    hahaha, era pra ficar meio no clima (?) do livro, não sei se deu certo (?2) rs.

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  4. Eu não vi o filme, então nem imagino quais possam ser as questões, mas é interessante que tenha dado margem a duplas interpretações. No livro não vi isso, então se você quiser tirar a dúvida, vai fundo :)
    (Além disso, eu gostei de Um Dia, então estou recomendando rs).

    Ah, pode pular Resposta Certa sem medo haha 
    Não é grande coisa, não...

    Hmm, agora estou lendo "O que Einstein disse ao seu cozinheiro" e "A Arte da Imperfeição". Depois desses, não sei, o que olhar pra mim primeiro da estante (ainda tenho alguns não lidos esperando) haha
    Quero muito ler 1984! Pretendo incluí-lo na próxima compra (que vai demorar um pouquinho: estou falida! rs).

    Beijos!

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  5. Eu li na ordem inversa - Um Dia primeiro e depois Resposta Certa - mas não tem como não perceber as "semelhanças" entre os protagonistas, principalmente... Dexter para mim é tão perdedor quanto Brian. E eu não consegui gostar do personagem.
    Eu gostei do livro, mas não amei... Sei lá, acho que falta alguma coisa. Ou talvez seja porque o livro é tão realista que chega a dar raiva. Eu me apaixonei por Emma, mas na mesma medida, detestei o Dexter... e justamente por ela gostar tanto desse perdedor eu acho que até desgostei um pouquinho dela, mesmo gostando tanto (será que deu para entender o que eu quis dizer?!).
    Acho que Um Dia é um livro que merece mesmo ser lido (e tenho certeza que eu teria gostado bem mais se minhas expectativas quanto a ele não estivessem tão altas devido às resenhas que li antes de encarar o livro).

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  6. Ih, eu acho que o Dexter também é perdedor sim, mas de um jeito diferente do Brian (pelo menos do Brian do começo/meio do livro, já o Brian do fim/que vem depois do fim, na minha cabeça, acho que seria como o Dexter do começo até quase o fim, quando ele finalmente se toca de como ele estava se comportando, por causa da família "perdida" e por influência da Emma, acredito). Não sei se deu pra entender algo do que eu disse hahaha. O que penso, mais ou menos, é: o Brian, antes, queria ser alguém, fazer coisas importantes e tal (ao menos essas coisas passaram pela cabeça dele um dia), só que ele "se estragou" querendo ser legal, indo atrás dos outros, querendo aparecer, querendo ser quem ele não era pra se dar bem... enfim, fazendo uma besteira atrás da outra. Já o Dex estava totalmente perdido, queria só curtir a vida, a juventude, não se preocupava com nada além de diversão, até ver que aquelas coisas, na verdade, eram vazias, não traziam realmente felicidade nenhuma (e como ele demora pra perceber, hein?).
    Ah, Emma = <3 (apesar de eu não ter gostado de algumas -poucas - atitudes dela, tipo o diretor, mas acho que aí também entra a questão de ninguém ser perfeito). 
    Eu não cheguei a detestar o Dexter, acho que ele deveria ser uma pessoa até legal, vide a carta que ele escreveu, o problema é que a gente só vê o dia 15 de julho, e, ainda assim, só alguns momentos do dia. E, claro, detestei muitas coisas que ele fez. Queria entrar no livro e sacudi-lo, dizendo: ESCUTA AQUI, CARA... *discurso, discurso, discurso*, mas acho que isso, na verdade, não adiantaria nada - tem gente que só aprende na marra MESMO (e ele não ouviria uma única palavra).

    Realista DEMAIS mesmo, tanto que me deixou deprimida. É um livro TOTALMENTE imperfeito. Para recomendar com ressalvas, né? :)

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  7. Raphaella, falou tudo: "para recomendar com ressalvas".
    Eu não consigo gostar do Dexter - de jeito nenhum. E acho que o que mais me irrita na Emma é ela não conseguir esquecer esse cara. Nada vai tirar da minha cabeça que ela poderia ter sido muito mais feliz se tivesse conseguido tirar o Dexter da vida dele. Ele só faz besteiras...

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  8. Ah, mas aí é que complica, acho que esquecer não é tão fácil assim quando se gosta realmente (ela até tentou, né, mas não deu muito certo), e os dois tiveram muito em comum, é complicado "cortar" alguém da vida, sei lá... só estou divagando aqui hahaha
    Mas acho que, no fim das contas (e aqui entra a Raphaella otimista, preste atenção, porque é raro ela aparecer), a Emma foi feliz, apesar dos pesares :)

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  9. Raphaella, eu sei que esquecer não é tão simples assim... e acho que é por isso que eu fico com tanta raiva. Hahahahahah
    Eu concordo - a Emma foi feliz, mas poderia ter sido mais se o Dexter não fosse tão babaca (desculpe, eu não gosto mesmo do cara e acho que o aquecimento global é, em grande parte, culpa dele... além da extinção dos Dodós ).

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