quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Stolen – Lucy Christopher

O nome "de verdade" desse livro, na edição tupiniquim, é - você descobre isso lendo a ficha catalográfica - Stolen (raptada): carta ao meu sequestrador (não sei porque não traduziram o título diretamente, talvez esteja na moda deixar no original), mas ele também poderia ser conhecido como o livro que a Raphaella queria ter escrito. É, gostei tanto da sua ideia que queria eu mesma tê-la tido, Lucy.

Toda hora, eu gritava mentalmente pra autora: "Eu sei o que você está fazendo!". Mas isso (saber) não me impediu de cair na armadilha.

Foi uma grande sacada (e parte do trabalho de doutorado dela).

Você me viu antes que eu visse você. No aeroporto, naquele dia de agosto, você tinha aquela expressão em seus olhos, como se quisesse alguma coisa de mim, como se a quisesse há muito tempo. Ninguém nunca tinha me olhado assim, com tanta intensidade. Isso me perturbou, me surpreendeu, eu acho. Aqueles olhos azuis, bem azuis, um azul gelado, olhando para mim como se eu pudesse aquecê-los. Eles são muito poderosos, seus olhos, você sabe disso, e muito lindos também.

No aeroporto, prestes a viajar com a família, Gemma discute com a mãe e se afasta para comprar um café. O caixa não aceita seu dinheiro (ela só tinha moedas britânicas). Um cara desconhecido (e bonito) se oferece para pagar a bebida e se afasta com o intuito de colocar açúcar. E, aí, tudo muda.

Lentidão, moleza, euforia, confusão, pânico, náusea, dor, letargia e, finalmente, nada.

Então, um quarto, em lugar nenhum, e Ty, o cara do aeroporto.

E, nesse cenário, muita coisa acontece. Ainda que não no sentido usual dessa expressão - não espere encontrar muita ação e aventura, a jornada aqui é psicológica -, até porque o que você pode fazer no meio do nada, confinado em uma casa simples e rústica com a pessoa que o sequestrou? Tentar escapar, é claro. Mas, e quando sua única rota de fuga possível passa pelo seu sequestrador? 

É isso que Gemma acaba tendo que descobrir, assim como nós, leitores.

E é justamente esse o grande "trunfo" de Stolen: as descobertas, as contradições, a confusão de sentimentos, as implicações que esse tipo de situação ocasiona. Como ele brinca com as suas certezas, suas convicções.

É uma experiência diferente. Com alguns "efeitos colaterais".


11 comentários:

  1. Tenho trauma de livros desse tipo de livro, já li um parecido, Identidade Roubada. Nele a mulher era MUITO abusada pelo sequestrador e não podia fazer nada (ou quase nada) pra escapar. Muito difícil, tenso. Não sei se me agrado ler outro parecido.

    E pior que eu li rs
    Palavras Envenenadas. História parecida e mais angustiante ainda. O final deixa um gosto amargo terrível. Ambos são bons livros, mas a temática não em atrai mais, por enquanto. 

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  2. Ahh, eu também não gosto da temática "sequestro" por si só, do que eu gostei mesmo foi a ideia deste livro, por assim dizer. Não sei se comentar isso seria classificado como spoiler pra você, mas ele trata da síndrome de Estocolmo (não cometei mais porque não sei se é melhor ler sem saber ou não, mas se você quiser saber eu falo haha). Além disso, ele não é muito pesado - até porque está no selo jovem da editora (coisa que me espantou muito, mas, depois de ler, entendi). Tem aquela "aura" de YA mesmo... não sei se falo mais ou não hahaha

    Ihh, também estou fugindo de coisas amargas, já bastam as que não se pode fugir, não sou eu que vou buscar mais haha

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  3. Olá Fe!!
    Comecei a ler Identidade roubada, mas parei. :(
    Tenho certeza que vou ler até o final algum dia, mas, por enquanto tem tanta coisa boa p/ler. E esse da sua resenha é sobre sequestro tb, mesmo essa doença que tb acho curioso... 
    Vou deixar passar por enquanto...
    Bjk e 
    Boas leituras!!

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  4. eu sempre fiquei curioso pra ler esse livro. Sei lá, a história é totalmente diferente do que eu já vi. Mas todos falam que não é um livro agitado e tudo mais. E eu não tenho muita paciencia pra narrativas lentas.

    Até mais.Abraços!!

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  5. Oi, Lucas!

    Eu também não tinha lido nada do tipo, e achei bem interessante o caminho que a autora percorreu: não é simplesmente o garota-sequestrada-pelo-cara-mau que eu pensava que seria, por isso que gostei :)
    Quem lê vai conhecendo a história aos poucos, descobrindo as coisas junto com a Gemma, e acaba tendo uma ideia bem diferente da que tinha no começo, principalmente, sobre o Ty - ao menos foi o que aconteceu comigo.

    Aham, não é agitado mesmo, quem quiser muita ação, vai se decepcionar. Mas não é que a narrativa seja lenta (pelo menos eu não achei, li em poucas horas), é que não "acontece" muita coisa... 

    Até! :)
    Abraço

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  6. Lembro que, na época do lançamento, eu me interessei por "Identidade Roubada", mas depois achei melhor deixar passar (foi mais ou menos um surto de chega-de-tragédia-por-hora haha).

    Este é sobre sequestro também, mas foi diferente do garota-sequestrada-pelo-cara-feio-e-mau que eu esperava, por isso gostei :)
    O mais interessante (na minha opinião) foi isso de ir descobrindo as coisas aos poucos, como a visão inicial sobre tudo vai mudando com o passar das páginas - conforme se conhece a história, as motivações... 

    Beijo e boas leituras pra você também, Orquidea!

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  7. hmmm, esse deu vontade de ler...

    mas, como já disseram... o tema é desconfortável. sei lá. li uma das suas respostas, sobre a tal síndrome, e acho que sei do que se trata. é realmente um "sei lá", não sei se me irrita, se caso ou compro bicicleta. xD

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  8. Hahaha! É, eu também estava com um pé atrás antes de ler e não sei se teria comprado (ganhei o meu), mas, agora que li, perdi mais um preconceito xD

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  9. Seguindo o blog!!!!
    Convido-a para seguir:
    http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/ 
     Bjs

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  10. Raphaella, eu fico meio angustiada com livros de sequestro - porque sempre que leio um livro acabo me colocando na pele dos protagonistas... e se imaginar como uma vítima de sequestro não é algo muito interessante.
    Ainda assim, entretanto, já li alguns livros realmente bons sobre o assunto.
    Adorei a sua resenha e vou procurar saber mais sobre esse livro (c0nfesso que não havia prestado atenção nele).

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  11. Neste caso, é interessante sim! haha
    Eu também não tinha prestado muita atenção, mas, agora que li, gostei bastante :)

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