sexta-feira, 7 de junho de 2013

O poder dos Quietos – Susan Cain

Elvis Presley
Não foi nada fácil escrever este texto ando sem inspiração, como dá pra ver pela falta de posts. Mas fiz o possível simplesmente porque o assunto é importante. Eu também queria dar um tom menos sério, mais bem humorado, mas isso aqui foi só o que saiu :P

O poder dos Quietos virou meu livro favorito de todos os tempos da última semana.

Não, você não leu errado.

Vou mais além: O poder dos Quietos é um livro que deveria ser obrigatório para todo tipo de educador (pais, professores, líderes religiosos,...). Na verdade, deveria ser obrigatório para qualquer ser humano. Num mundo ideal, isso não seria necessário. Só que nós não vivemos num mundo ideal.

Como eu sei que nem todo mundo se importa leria um livro obrigatório vou dizer outra coisa: O poder dos Quietos é um livro para quem quer entender melhor como as pessoas funcionam. Para quem quer saber por que agem como agem. Por que são diferentes umas das outras. E por que isso é bom. 

Aliás, nós precisamos disso como sociedade. Qual é, admita: até você ficaria entediado se todo mundo agisse igual a você TODO O TEMPO (apesar de, às vezes, desejar que fosse assim, seria tão mais fácil... mas será que seria mesmo? Quem é que ia fazer as atividades das quais você não gosta? Você mesmo, detestando cada minuto).

Bill Watterson
Como aconteceu com muita gente, minha vida meio que mudou quando descobri meu grande I, através do MBTI. Mas o catalisador poderia ter sido o livro de Susan, se eu o tivesse conhecido primeiro.

De qualquer forma, O poder dos Quietos terminou de vez com as questões pendentes. O livro acabou sendo, em parte, um condensado daquilo que tenho observado ao longo do tempo. Mas Susan me deu algo melhor: a comprovação. Além de muitas outras coisas em que pensar.

Eu gostaria de ter lido esse livro quando era mais nova (não que ele já existisse). Teria me poupado de muitas coisas... e eu teria compreendido melhor a mim e aos outros mais cedo, só que então eu não teria nenhuma observação própria... não poderia dizer "AHÁ! Eu te disse!" pra mim mesma...

É fato que eu poderia passar horas falando sobre muitas das coisas ditas no livro (até já tinha comentado várias delas - fora da internet -, outras estavam só na minha cabeça mesmo). Ou contando diversas histórias pessoais que exemplificam o assunto (o livro também está recheado delas). Mas é melhor você ler o livro, que, além de tudo, é suportado por pesquisas científicas. Logo, você vai acreditar melhor se for a Susan a contar a história.

Eu só vou comentar algumas coisas.

Ernest Hemingway
Em nossa sociedade, a extroversão tem sido cada vez mais cultuada, em detrimento daqueles que apresentam características contrárias. Desde pequenas, crianças quietas são tidas como problemáticas, antissociais, frias e tímidas. Muitas vezes são forçadas, por pessoas bem-intencionadas, a se enturmar, a socializar, a agir contra sua natureza. Elas são ensinadas, desde cedo, que seu comportamento não é o correto. Aprendem que existe algo errado com elas, que não podem ser daquele jeito, que precisam ser como todo o mundo.

Só que tudo isso não passa de mito.

A verdade é que não há nada de errado. Pessoas "quietas" são, na verdade, introvertidas. Elas tem, inclusive, muitas qualidades que as extrovertidas poderiam desejar, se as conhecessem. E gostam de gente como todo mundo. Só não de muita gente ao mesmo tempo.
(ok, faço aqui uma ressalva: não sei se todo mundo gosta de gente, mas isso não tem nada a ver com ser introvertido ou extrovertido)

Mas elas não conhecem. Nossa sociedade cada vez mais exige que todos ajam como extrovertidos. E os introvertidos realmente tentam. E conseguem. Mas isso acaba os desgastando. E os faz duvidar de si mesmos.

Albert Einstein
Em nossa sociedade, cada vez mais somos advertidos de que devemos vender nossas imagens (afinal, a primeira impressão é a que fica). Não importa tanto que você não saiba muito bem o assunto, que sua ideia não seja assim tão boa, que você não esteja tão apto a fazer determinada tarefa, contanto que pareça confiante. E o inverso também é cada vez mais verdadeiro: não importa que você tenha  todos os requisitos necessários para o emprego, se você não falar sem parar e rapidamente na hora da entrevista, vai acabar ouvindo um "infelizmente você não tem o perfil da empresa: precisamos de alguém que saiba colaborar com os outros" (ah, sabe quem age melhor em ambientes cooperativos? Os introvertidos. Pois é, essas ironias da vida. Extrovertidos se sentem mais estimulados por ambientes competitivos - e não sou eu que estou dizendo, foi cientificamente comprovado).

Aliás, escolas, ambientes de trabalho... tudo cada vez mais vem sendo projetado especialmente para extrovertidos.

Mas introvertidos são uma minoria tão pequena que não faz tanta diferença assim, né?

Aí é que tá: não são. Aproximadamente um terço das pessoas nos EUA são introvertidas. E os EUA são conhecidos por terem uma das populações mais extrovertidas do mundo. A China tem maioria introvertida, a Europa, extrovertida (será por isso que todo europeu com quem me correspondi é extrovertido? Ou será que só os extrovertidos chegam a mandar mensagens em sites de estudantes interessados em outras culturas? Eu mesma só fiquei sentada esperando e respondi as que chegavam... *divaga*). Enfim, isso varia, mas é muita gente.

E mesmo que fossem uma minoria, bem minoria, seria correto que o mundo fosse projetado pensando somente nos  extrovertidos?

Theodor Seuss Geisel
(viu, se você é um extrovertido se sentindo injustiçado por este post, saiba que não tem nenhum motivo pra se sentir assim. Mas pense em como se sentem os introvertidos em grande parte da sua vida, se não em toda ela)

Ah, e não é só de introvertidos que O poder dos Quietos fala. Extrovertidos também tem sua vez. E como o outro tipo de preferência, suas vantagens e desvantagens. Ambas são discutidas e comparadas, com base na literatura científica existente. 

Até porque o que importa mesmo não é que tipo de preferência você possua (o grau introversão-extroversão não é absoluto, mas uma escala: cada pessoa se situa em um ponto determinado, alguns mais próximos de um, outros de outro... e outros exatamente no meio - os ambivertidos), e sim que você seja fiel àquilo que acredita, a você, com tudo o que isso significa (e que saiba respeitar as diferenças e não faça julgamentos baseados apenas na aparência das coisas, mas isso é óbvio, certo?).

Ah, e se você está preocupado pelo livro ser classificado como auto-ajuda por aí, pode deixar isso pra lá. Apesar de funcionar em certo ponto como auto-ajuda (e que mal há nisso? Com tanto que funcione...), eu o vi mais como um livro de psicologia. Não sei como são feitas essas classificações, mas explico meu ponto: O poder dos Quietos não é um manual do que você deve fazer para ser uma pessoa melhor/mais realizada/feliz/etc. É um livro que explica as diferenças entre pessoas com preferências distintas, baseado em pesquisas científicas da área.

Acho que já deu, né? Tudo isso foi pra dizer simplesmente:
- se você é um introvertido, leia O poder dos Quietos, sua percepção sobre si mesmo e sobre os outros, sem dúvida, vai se transformar.
- se você é um extrovertido, leia O poder dos Quietos, sua percepção sobre si mesmo e sobre os outros, sem dúvida, vai se transformar.


PS: Todas as pessoas cujas citações estão nas imagens são introvertidas.




6 comentários:

  1. Timidez é muitas vezes confundida com discrição. Num país onde as pessoas são expansivas, muitos são erroneamente taxados de tímidos por não sorrir o dia todo e dar piruetas no ar de alegria, saltitar cantando, etc.

    "O segredo da vida é colocar a si mesmo sob a luz certa. Para alguns são os holofotes da Broadway; para outros, uma escrivaninha iluminada." (O Poder dos Quietos, Mulher 7X7/ Natália Espinacé)

    Essa frase é uma redenção.



    Abç ae
    CM

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  2. Exatamente! Falta compreensão, há excesso de pré-julgamento... se alguém não demonstra o que sente saltitando por aí (como você bem falou), é taxado de tímido/infeliz/antissocial/frio/etc.

    Se alguém está correndo/dando piruetas/falando sem parar/agindo expansivamente, fica clara a razão. Agora se alguém está quieto, existem N motivos pelos quais a pessoa pode estar agindo assim, só tem um jeito de descobrir: perguntando!

    É mesmo :)
    Num mundo em que todo mundo quer aparecer e NECESSITA que outros os admirem para se sentirem bem consigo mesmos, quem não quer aparecer e não precisa de extensivas reafirmações externas é mal visto (a que pontos chegamos, hein, sociedade?).



    Abraço! :)

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  3. Eu quero muito esse livro, bem que a gente podia trocar no Skoob o que acha??
    Abç ae

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  4. Não, não :)
    Desculpe, mas não troco nem livros dos quais não gostei tanto, menos ainda os que gostei rs.
    Ela tá baratinho por aí agora... dá uma olhada no buscapé :)


    Abraço

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  5. Obrigada Rapha, entendo perfeitamente..
    Ainda não troquei nenhum tb e vou fazer o que vc disse!!
    Abç

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